Logo - Natal na Segunda Guerra Mundial

História da segunda guerra

A posição estratégica de Natal para a aviação mundial foi evidenciada já a partir dos anos 1920 e no final da década de 1930, as Forças Armadas Norte Americanas, consideravam a cidade de Natal como de vital importância para a defesa do Continente Americano. A capital potiguar está localizada de maneira a facilitar e baratear os deslocamentos para África e Europa. Por essa razão, foi chamada por muitos de “a encruzilhada do mundo”.

Mas foi a partir de 7 de dezembro de 1941, com o ataque japonês a Pearl Harbor que a localização privilegiada de Natal atraiu de vez o interesse dos americanos. Getúlio Vargas negociou habilmente com o presidente norte-americano Franklin Roosevelt. Em 1943, os dois presidentes se reuniram em Natal e acertaram a parceria que incluía também a entrada do Brasil na guerra lutando ao lado dos aliados.

A partir de então, a presença militar americana em Natal se tornou intensa. Parnamirim Field era, na década de 1940, uma das maiores bases aéreas americanas em território estrangeiro. Ao fim da guerra, o fato rendeu à capital potiguar o apelido de “Trampolim da Vitória”.

Personagens e curiosidades

O caso do açúcar nos taques de combustível da B-17 “Fortaleza Voadora”

Em determinado momento da guerra, a cidade de Natal passou a conviver com as constantes quedas de aeronaves, o que também despertou a atenção dos militares americanos que operavam os aviões a partir da base aérea de Parnamirim Field. Após investigações, os americanos chegaram a prender um natalense que trabalhava como civil dentro da base, acusando-o de colocar açúcar no tanque de combustível, o que teria provocado a queda e a consequente morte dos militares a bordo.

De fato, o acidente ocorreu e teve um natalense preso, porém nunca comprovaram a história do açúcar. Esta pessoa ficou algumas horas (ou dias) detida e foi liberada, mas nunca conseguiu se livrar do rótulo. Sabe-se que ele deixou a cidade e foi visto anos depois na Bahia.

O rasante no desfile 7 de setembro

Em um dos desfiles de 7 de setembro, entre os anos de 1942 e 1945, contam que as tropas brasileiras estavam desfilando quando dois pilotos do Aeroclube do Rio Grande do Norte resolveram fazer acrobacias sobre o público, iniciando com um rasante sobre a avenida Deodoro da Fonseca, onde acontecia a solenidade. O fato curioso é que as tropas assustadas com o clima de guerra correram para se proteger, achando ser um ataque aéreo. Nunca houve comprovação do fato, apesar de inúmeros relatos. Um desses inclusive, associa o fato a um desfile pós-guerra, quando as tropas já tinham retornado do front e traumatizadas.

Prisão de brasileiros pela MP

De maneira geral os militares americanos em Natal não interferiam na vida civil dos habitantes locais, nem nas leis brasileiras. Contudo, sabe-se de casos de brasileiros que foram detidos pela Militar Police, os temidos “MP”, apontados por alguns até como os “Mariners”. Um caso em especial e que ficou muito conhecido foi de um brasileiro magrelo que se envolveu em uma briga de bar com “galego” (apelido dado aos americanos) e na hora da confusão puxou uma peixeira perfurando-o. Ele teria sido detido, embarcado na base para ser julgado no EUA. Apesar de ter relatos similares, não existe documentos falando da deportação.

Natal Boots e as meias de seda

Muitos veteranos americanos lembram de Natal não pela base, mas por alguns produtos comprados aqui enquanto iam ou voltavam do front de batalha. Um deles era as botas de Natal, ou Natal Boots, fabricadas por um artesão local e disputadíssima pelos militares, que acham mais confortáveis e práticas, apesar de contrariar o regulamento oficial. Outro produto que não parava nas prateleiras das lojas locais eram as meias de seda. Devido ao esforço de guerra e a seda ser produto indispensável na fabricação de paraquedas, as meias não eram encontradas com facilidade nos Estados Unidos.

A risada de Roosevelt no Jeep

Ninguem sabe ao certo ou que levou o presidente Franklin Delano Roosevelt dar aquela risada no jeep Nº 7, que ficou imortalizada na foto feita no terceiro arco do prédio da Rampa. Dizem que naquela ocasião ele perguntou iriam almoçar e alguém teria sugerido o estabelecimento de Maria Boa. Claro que isso é uma mera especulação.

O espião preso em Jacumã

Existem diversos relatos de espiões sendo detidos em Natal durante a guerra, até mesmo o registro oral de execuções por fuzilamento na margem oposta do Rio Potengi. Uma das estórias pouco conhecidas é de um padre alemão detido na praia de Jacumã. De acordo com moradores da época, este padre chegou e se estabeleceu na praia, pregando na pequena igreja que existe até os dias de hoje, contudo, duas coisas chamavam a atenção das pessoas. Primeiro o sotaque carregado do padre e andar sempre com um guarda-chuva, como se esperasse uma chuva a qualquer momento.

Um dia, um forte esquema de segurança com militares brasileiros e americanos chegaram a localidade, inclusive com desembarque anfíbio, com objetivo de deter o padre. Ele foi acusado de ser um espião do eixo e vinha passando informações via rádio para um possível submarino. Este homem foi preso e trazido para Natal.

PONTOS HISTÓRICOS